Postado em 30 de maio 2023
Quem trabalha com agricultura sabe muito bem como é a frustração de perder grande parte da sua produção por causa de fungos. As doenças fúngicas são uma enorme dor de cabeça para os produtores.
As perdas causadas por esses tipos de doenças podem ser significativas e exigem atenção do produtor para lidar com o problema e melhor enfrentá-lo.
As doenças fúngicas afetam principalmente as folhosas de hortifruti, como alface, acelga, couve, rúcula, espinafre, almeirão e chicória. Além disso, afeta também culturas como abobrinha, pepino, tomate, ervilha, entre outras.
Dentre as doenças com fungos em hortifruti, destaque para o Oídio, favorecida por ambientes secos e quentes, embora seja também encontrada em clima úmido e frio.
Com todos os riscos à produção causados por fungos, o produtor precisa conhecer bem as melhores formas de identificar a doença, reconhecer o fungo causador, como tratar e como prevenir tais doenças.
Se interessou em saber mais? Então continue a leitura!
O fungo branco é um dos mais conhecidos e temidos pelos produtores rurais. Também chamado de mofo branco, é causado pelo fungo ascomiceto Sclerotinia sclerotiorum, nome científico do agente causador da doença.
Visualmente, a cobertura branca das folhas se assemelha a um mofo. É uma das doenças que mais causam prejuízo em grandes lavouras como algodão, soja, feijão e girassol, mas também afeta dezenas de outras espécies de plantas.
Os danos causados pela doença podem causar a morte da planta e até mesmo chegar nas raízes, contaminando o solo e comprometendo o cultivo futuro de outras culturas. É um fungo que se dispersa com facilidade e, por isso, se a infestação for grande, ela pode se espalhar para as flores e frutos, além de danificar os órgãos das plantas e contaminar outras lavouras.
O fungo branco apresenta estruturas de resistência que permitem sua sobrevivência no solo por até 10 anos.
Entretanto, o fungo branco não é único tipo de fungo em plantas. Há outros, como o míldio (Bremia lactucae), septoriose (Septoria lactucae), cercosporiose (Cercospora longissima) e a mancha-preta (Alternaria brassicae).
Conhecer os diferentes tipos de fungos em plantas e as principais doenças causadas por fungos é algo muito importante para todo produtor rural.
Abaixo, listamos as mais relevantes, juntamente com a cultura afetada. Confira!
Causado pelo fungo Oidium s.p, atinge principalmente as plantações de trigo, feijão, soja e tomate, entre outras culturas, como abacateiro, aveia, canola, cevada, girassol e videiras.
Tem como característica os sintomas de eflorescência de coloração branca ou acinzentada (bolor) e pulverulenta (aspecto de pó), que pode recobrir folhas (apenas um lado das folhas), ramos, flores e até os frutos.
A septoriose é causada pelo fungo Septoria lactucae e afeta bastante as culturas de acelga, agrião, alecrim, alface, alho-poró, almeirão, brócolis, cebolinha, couve, couve-flor, espinafre, hortelã, manjericão, repolho, rúcula e salsa, entre outras.
O fungo ataca principalmente as folhas, mas pode afetar também a haste e os órgãos florais no campo de produção de sementes. Os sintomas nas folhas são manchas com contornos irregulares e as perdas são maiores quando o ataque se dá no início da cultura.
A mancha-de-cercóspora ataca principalmente a cultura da beterraba-açucareira e beterreba-de-mesa, mas não só, e também afeta a acelga, batata yacon, batata-doce, gengibre, inhame, mandioca, mandioquinha-salsa, nabo e rabanete,
No Brasil, existem registros nos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e em várias regiões do Nordeste.
Os sintomas característicos da doença são manchas foliares necróticas e coalescentes, e o colapso das folhas, que caem no chão, mas não se destacam da coroa.
Causada pelo fungo Rhizoctonia solani, a Rizoctonioze, também conhecida como Podridão-radicular, afeta diversas culturas importantes, como a batata, o feijão, o fumo, o milho e a soja, causando podridões radiculares no começo do desenvolvimento da plântula, redução no vigor e na germinação da semente.
Os sintomas mais graves na planta aparecem na primavera, pouco depois da plantação.
O fungo também atinge muitas outras culturas, como abacate, acelga, alface, arroz, berinjela, brócolis, café, cebola, cenoura, chicória, couve, goiaba, pepino, pimentão, repolho, entre outras.
Também chamada de mofo cinzento, a podridão-da-flor
(Botrytis cinerea) é uma doença que ataca diversas espécies vegetais e em diferentes fases de desenvolvimento, tanto vegetativo como reprodutivo. O fungo pode afetar plantas novas, assim como as flores e frutos. Inclusive é uma importante doença de pós-colheita.
A doença se caracteriza pelo aparecimento do mofo cinzento em várias partes da planta, como folhas, brotos, cálices jovens, flores e frutos. Os sintomas começam como queimaduras no ápice das folhas e se prolongam até a base e o pecíolo.
Muitas são as culturas que podem ser afetadas pela podridão-da-flor, como o abacate, alface, batata, cenoura, couve-flor, feijão, figo, girassol, manga, melão, pepino, pera, entre outras.
A mancha-de-estenfílio (Stemphylium solani), ou mancha das folhas, afeta culturas como o tomate, a berinjela, o jiló e o pimentão. O fungo causa perda de área foliar e destrói as folhas do ponteiro, o que implica na redução de produtividade.
Embora seja bastante agressiva, a doença tem importância relativamente menor devido ao fato das variedades e híbridos cultivados serem resistentes.
A doença pode ocorrer em todos os estádios de desenvolvimento da planta, sendo o ataque mais intenso nas folhas do ponteiro na época da colheita. As folhas mais novas apresentam pequenas pintas de coloração marrom a preta, que depois ficam necróticas, com coloração cinza-escura. É comum as lesões romperem, deixando as folhas perfuradas. Em folhas mais velhas, as lesões suprimem grandes áreas dos folíolos.
Aprender a reconhecer os diferentes fungos que afetam as plantações, seus sintomas e características visuais, é um conhecimento importante para todo produtor.
Os fungos nas plantas podem ser identificados por meio de sintomas visíveis, como manchas, descoloração, deformação e crescimento excessivo de tecido. Algumas espécies podem ser identificadas pela aparência dos corpos frutíferos ou estruturas reprodutivas. A análise de amostras de tecido da planta sob um microscópio também pode ajudar na identificação do tipo de fungo presente.
A identificação do fungo na planta começa pela capacidade de reconhecer seus sintomas. Normalmente, os sinais de doenças fúngicas e os sintomas de fungos em plantas se manifestam em necrose local ou geral.
Quando a percepção a olho nu não for suficiente, a análise de amostras de tecido vegetal para identificação de fungos passa a ser um método importante e eficiente.
Alguns dos principais sintomas de doenças causadas por fungos são:
Eliminar os fungos das plantas é plenamente possível a partir do manejo correto. Para isso, basta que o produtor proteja sua cultura com os métodos comprovadamente eficazes para o controle e eliminação dos fungos.
Há produtos químicos que controlam o crescimento dos fungos e ajudam a prevenir a propagação da infecção. Mas atenção: é importante seguir as instruções do rótulo e aplicar o produto corretamente. Além disso, vale ressaltar que o uso desses produtos, devem ser utilizados sempre de acordo com a consulta e recomendação de um Engenheiro Agrônomo.
Para uma maior eficiência da aplicação dos fungicidas podem ser utilizados adjuvantes agrícolas. Um exemplo é o SuperSil, da Rigrantec, um adjuvante com ação espalhante que reduz a tensão superficial das gotas. O produto é 100% trisiloxano, solúvel em água, não iônico, tendo altíssima compatibilidade com adubação foliar.
Outro produto recomendado é o ProntoTrês, um adjuvante agrícola multifuncional, com forte ação penetrante, antideriva e espalhante. Ele pode ser utilizado em todas as aplicações do ciclo das culturas, por meio da pulverização aérea e terrestre com fertilizantes, herbicidas, inseticidas e fungicidas.
O controle biológico de fungos em plantas nada mais é do que o uso de organismos vivos para controlar a infecção por fungos. Isso pode incluir tanto o uso de bactérias benéficas como fungos predatórios que atacam os fungos patogênicos.
A constante aplicação por muitos anos de defensivos agrícolas resultou no surgimento de diversos casos de resistência, aumentando as dificuldades de controle. Com isso, há pragas e doenças que têm se mostrado de difícil controle pelos defensivos convencionais, como alguns nematóides e fungos de solo.
Por isso, há a opção do uso do controle biológico como forma de eliminar fungos das plantas agrícolas. Os agentes biológicos são organismos que controlam doenças ou pragas que afetam os cultivos – ou pelo menos auxiliam em seu manejo. Podem ser microrganismos, como fungos e bactérias, ou macroorganismos, como insetos e ácaros predadores.
Os produtos biológicos consistem justamente nestes organismos vivos ou inativos e são úteis à agricultura por controlar as pragas e doenças, ou ao menos reduzir os danos nos cultivos ao manter suas populações em equilíbrio. Assim, pode ser vista como uma prática cultural valiosa para prevenir fungos em plantas.
Ao chegar até aqui na leitura, você já deve ter compreendido que a prevenção de fungos nas culturas agrícolas é fundamental para manter a saúde das plantas e garantir uma colheita saudável.
A questão, a partir de agora, provavelmente é: E como fazer isso?
Prevenir o surgimento de fungos em folhosas é uma tarefa que inclui tanto medidas preventivas, como técnicas de cultivo e até mesmo cuidado com o ambiente. Ou seja, um conjunto de ações que ajudam a manter as plantas saudáveis e reduzem o risco de infecção por fungos.
Isso pode incluir rotação de culturas, remoção de plantas infectadas e limpeza de equipamentos agrícolas.
A rotação de cultura é uma técnica de plantio em que se alternam espécies vegetais e contribui com a conservação do solo e o controle de pragas e doenças da lavoura. O uso da rotação de culturas junto com o sistema de plantio direto, busca evitar problemas causados pela degradação do solo, como diminuição da matéria orgânica, erosão, diminuição dos micro-organismos, proliferação de plantas daninhas e doenças, entre outros.
A limpeza de equipamentos agrícolas é outra ação importante e que, muitas vezes, o produtor não relaciona diretamente com a prevenção na disseminação de patógenos e doenças. A falta de limpeza de implementos agrícolas como arados, grades e colhedoras, por exemplo, abre brecha para o risco de contaminação das culturas.
E, claro, o olhar do dono: que neste caso não engorda o gado, mas preserva a saúde das plantas.
Além dos cuidados já citados, é importante levar em conta que existem produtos no mercado que fortalecem as plantas e que podem previnir o surgimento de fungos e outras doenças.
É o caso do BioGain NPK, que estimula a produção de fitoalexinas, que por sua vez melhoram a proteção natural das plantas, induzindo maior resistência a infecções de fungos (ação fungistática), bactérias e vírus. Também promove ação fungistática que dificulta, impede ou previne o crescimento e a reprodução de fungos ou sua ação parasitária.
Outra opção é o ProSilicon, um fertilizante mineral líquido desenvolvido para suprir as necessidades de Silício das plantas, oferecendo maior resistência e proteção às pragas e doenças.
E há ainda os produtos da Linha Fosfito, como o Fosfito 30 20, que também estimula a produção de fitoalexinas e induz maior resistência a infecções de fungos, bactérias e vírus. Tal como o BioGain NPK, sua ação fungistática dificulta o crescimento e a reprodução de fungos.
Definitivamente, os fungos nas plantas são um problema sério que afeta a produção e têm potencial para causar perdas significativas. Diante da realidade, só resta ao produtor agir. E agir corretamente, considerando que estamos falando de uma doença que muitas vezes é resistente, que pode permanecer no ambiente por muito tempo.
Por isso, o ponto de partida é o conhecimento do problema e suas características. Em seguida, atuar para usar os instrumentos e as tecnologias disponíveis de prevenção e tratamentos adequados para evitar a disseminação dessas doenças nos cultivos.