Postado em 17 de maio 2023
A produtividade das fazendas e o trabalho no campo têm grande importância para a economia brasileira. Quanto a isso, não resta a menor dúvida e basta ver os indicadores econômicos normalmente divulgados na imprensa.
Todavia, um elemento que pode passar despercebido é o papel das empresas familiares no agronegócio do Brasil. E, nesse sentido, há um aspecto que talvez seja ainda menos lembrado: como os produtores rurais tratam a sucessão familiar rural e a necessidade de preparar os sucessores para assumirem os negócios?
A resposta é um pouco mais complexa do que possa parecer num primeiro momento. Isso porque uma boa sucessão rural envolve questões como a integração e a preparação dos sucessores, o plano de sucessão, aspectos jurídicos e financeiros, além da boa comunicação entre os envolvidos.
Se interessou em conhecer um pouco mais sobre esse tema? Então siga o texto e acompanhe nossas dicas!
A área rural e as empresas familiares no agronegócio são setores produtivos vitais para a economia do Brasil. O PIB do agronegócio brasileiro, por exemplo, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostra que o setor contribuiu com 24,8% do PIB do Brasil em 2022.
O cálculo do Cepea, vale destacar, engloba não apenas a produção da “porteira para dentro”, mas envolve a participação de atividades econômicas de outros setores que se relacionam com a produção rural, como indústria e serviços.
Quando analisada apenas a agricultura familiar, uma das faces das empresas familiares no agronegócio, dados do Censo Agropecuário 2017-2018, realizado pelo IBGE, mostram que a produção da agricultura familiar criou receita de R$ 106,5 bilhões de reais (23% do total do agronegócio)
Além da geração de empregos e renda, a produção rural é ainda fundamental para a segurança alimentar da população.
As empresas familiares no agronegócio envolvem tanto grandes propriedades, cuja produção pode se destinar prioritariamente para a exportação, como também propriedades menores conhecidas como agricultura familiar.
No último caso, são definidas por três características principais: a gestão da propriedade e os investimentos realizados são feitos por pessoas da própria família; a maior parte da mão de obra é igualmente de membros da família; e a propriedade dos meios de produção também pertence à família, ocorrendo em seu interior a transmissão em caso de falecimento ou de aposentadoria, além de uma parte mínima da renda familiar ser gerada pela propriedade rural.
Dados do Censo Agropecuário 2017-2018, realizado pelo IBGE, mostram que a agricultura familiar é responsável por 77% dos estabelecimentos agrícolas e emprega 10 milhões de pessoas, o que representa 67% da força de trabalho ocupada em atividades agropecuárias.
Ou seja: representando a maioria das propriedades rurais brasileiras e sendo importantes agentes do agronegócio, a agricultura familiar e as empresas familiares do campo, contribuem para o desenvolvimento econômico e social do País.
Com tamanha importância das empresas familiares do agronegócio na economia do País, a sucessão familiar rural adquire igualmente grande relevância para a própria continuidade do agronegócio brasileiro.
Afinal, as empresas familiares costumam ter uma história relevante econômica e socialmente e, portanto, sua continuidade é vital para manter a pujança do setor agrícola do Brasil.
Todavia, manter o negócio em funcionamento é um desafio enfrentado por muitos sucessores familiares. Dificuldades de acesso à informação e novas tecnologias são um empecilho neste processo de “passar o bastão”, incluindo conhecimentos de técnicas de gestão agrícola.
Não por acaso, uma significativa demanda no processo de sucessão é conseguir convencer os produtores sobre a importância da gestão profissional no campo. Mais profissionalismo e menos aquele papo de que “sempre fizemos assim e deu certo”.
Os tempos mudam rapidamente, assim como a necessidade de se capacitar para assumir os negócios passados de uma geração para outra.
Um conjunto de medidas caracteriza o que chamamos de “sucessão familiar rural”. Tais procedimentos incluem a transferência legal da propriedade, bens, imóveis e investimentos para a próxima geração.
A própria gestão da empresa familiar para os sucessores está incluída na sucessão familiar rural, com a necessidade de preparar os sucessores para assumirem os negócios. Na prática, um bom plano de sucessão familiar garante que a empresa continue operando com o mínimo de interrupção possível.
E para que esse plano tenha sucesso, é imprescindível que ele se baseie numa estratégia elaborada previamente pelo dono da propriedade rural, definindo de antemão quem assumirá os negócios e como a propriedade será transferida no devido momento.
Se você chegou até aqui no nosso texto, então acompanhe as dicas para uma boa sucessão rural, incluindo a integração e preparação dos sucessores, o plano de sucessão, as questões jurídicas e financeiras relacionadas e, claro, a vital comunicação entre os envolvidos.
Confira!
Para garantir uma sucessão familiar rural tranquila, é importante que os sucessores sejam integrados ao negócio desde cedo. É o famoso "quanto antes, melhor". E uma vez integrados ao negócio, os sucessores devem receber a devida preparação para assumir as responsabilidades.
A preparação dos sucessores inclui capacitação técnica, conhecimento da cultura e valores da empresa familiar, assim como o desenvolvimento de habilidades de liderança.
É fundamental haver um bom plano de sucessão para garantir a continuidade do negócio. Este plano deve estabelecer os critérios para a escolha do sucessor, as responsabilidades e funções de cada membro da família envolvido no negócio, além das estratégias traçadas para garantir a continuidade e o crescimento da empresa.
Um desafio cada vez mais presente na sucessão familiar rural é o aumento do êxodo rural por parte dos jovens. Por diversos motivos, há muito tempo as gerações mais novas têm perdido o interesse no trabalho rural e preferido ganhar a vida na cidade grande.
O impacto dessa questão na sucessão familiar não deve ser desprezado. Por isso, quanto melhor elaborado for o plano de sucessão, e mais efetiva a comunicação entre os membros da família, maior será a chance de uma “passagem de bastão” bem sucedida.
Como não poderia deixar de ser, a correta sucessão familiar rural envolve diversas questões jurídicas e financeiras que devem ser bem planejadas e gerenciadas.
Para montar esse plano de modo eficaz e seguro, é fundamental ter o apoio de profissionais especializados que garantam a legalidade e a sustentabilidade do negócio.
Lembre-se sempre: quanto melhor e mais abrangente for o planejamento da sucessão familiar, maiores as chances de sucesso e, assim, a continuidade dos negócios da família.
Uma boa comunicação entre os membros da família envolvidos no negócio é essencial para garantir uma sucessão tranquila e eficiente.
Para obter tal resultado, é importante estabelecer canais de comunicação claros e transparentes, assim como manter um diálogo constante para resolver eventuais conflitos e tomar decisões importantes.
A sucessão familiar rural é um processo vital para garantir a continuidade das empresas familiares no agronegócio. Para que tal objetivo seja alcançado, é preciso haver planejamento. Assim como a correta preparação do trabalho rural, do plantio à colheita, a sucessão familiar exige a execução de série de etapas, incluindo a integração e a preparação dos sucessores, o plano de sucessão e o gerenciamento de questões jurídicas e financeiras.