Postado em 11 de janeiro 2023
A busca crescente por técnicas sustentáveis para controlar pragas e doenças no cultivo de plantas e fertilização do solo têm impulsionado o uso de biológicos no controle de pragas agrícolas.
A constante aplicação por muitos anos de defensivos agrícolas resultou no surgimento de diversos casos de resistência, aumentando as dificuldades de controle. Com isso, há pragas e doenças que têm se mostrado de difícil controle pelos defensivos convencionais, como nematoides e fungos de solo.
Ao mesmo tempo, o apelo global e a busca contínua por um modelo de agricultura mais sustentável ganha força. É nesse contexto que o uso de biológicos no controle de pragas na agricultura tem tido cada vez mais destaque.
Além disso, parte do fortalecimento do setor agro no Brasil vem sendo garantido pela bioeconomia – modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos, com o objetivo de oferecer soluções para a sustentabilidade dos sistemas de produção visando a substituição de recursos fósseis e não renováveis.
Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) estimam que a bioeconomia movimenta cerca de 2 trilhões de euros no mercado mundial e cria cerca de 22 milhões de empregos. No Brasil, a bioeconomia tem potencial para aprimorar toda a multifuncionalidade da agricultura em prol da produção de alimentos, fibra, energia, prestação de serviços ambientais e ecossistêmicos, química verde e novos insumos.
Agentes biológicos são organismos que controlam doenças ou pragas que afetam os cultivos – ou pelo menos auxiliam em seu manejo. Podem ser microrganismos, como fungos e bactérias, ou mesmo macroorganismos, como insetos e ácaros predadores.
Os produtos biológicos consistem justamente nestes organismos vivos ou inativos e são úteis à agricultura por controlar as pragas e doenças, ou ao menos reduzir os danos nos cultivos ao manter suas populações em equilíbrio.
De acordo com a Anvisa, os produtos biológicos de controle são divididos em agentes microbiológicos, agentes macrobiológicos e semioquímicos. Assim, os biodefensivos macrobiológicos são aqueles em que o ativo existente é um organismo vivo, aplicado diretamente na lavoura.
Já os microbiológicos são compostos de microrganismos em misturas líquidas ou turfosas aplicados no solo ou na parte aérea da planta. E os semioquímicos são substâncias extraídas de metabolismos de microrganismos ou de vegetais.
Em todos os casos, o controle biológico ocorre quando esses organismos, ao existirem no local aplicado, controlam naturalmente as pragas e insetos vetores de doenças, mantendo então o equilíbrio da lavoura.
Tal controle é realizado preservando os inimigos naturais na área ou inserindo esses inimigos no sistema em grande quantidade, como ocorre na maioria das aplicações. Dessa forma, os inimigos naturais controlam as pragas se alimentando delas (predação), causando doenças (parasitismo), produzindo compostos tóxicos para as pragas (antibiose) ou dominando o ambiente (competição).
Como exemplo, podemos citar as associações com as plantas causadas por alguns agentes. É o caso do Bacillus subtilis, que não mata diretamente o nematoide, mas ao dificultar sua percepção da raiz, protege as plantas dos parasitas.
Importante destacar que para obter o resultado almejado é necessário utilizar inseticidas e produtos químicos seletivos para estes agentes biológicos.
Ao utilizar o controle biológico de pragas, seja em conjunto com o controle químico ou não, é possível restabelecer o equilíbrio agroecológico natural do campo.
Confira algumas das principais vantagens que você terá ao utilizar o controle biológico!
A redução de custos é um dos primeiros benefícios do controle biológico de pragas. Isso porque, ao restaurar o ecossistema da lavoura com agentes biológicos que controlam a população de pragas, é possível manter a área por mais tempo em nível de equilíbrio. O resultado é a redução da necessidade de aplicações frequentes de inseticidas e fungicidas.
Além de reduzir o volume de químicos na lavoura e auxiliar o meio ambiente a manter o equilíbrio natural, também são diminuídos os custos operacionais com maquinário e implemento necessário para as aplicações.
Uma das principais vantagens dos agentes biológicos no manejo de pragas é a eliminação dos impactos ambientais causados pelos defensivos químicos. A tecnologia biológica preserva a qualidade do solo, da água e elimina riscos residuais nos alimentos ou na operação dos produtos pelos colaboradores.
Considerando que a sustentabilidade já é uma imposição para o agronegócio e será cada vez mais no futuro, os produtores que atualizam suas técnicas de manejo estarão em melhores condições para conquistar mercado, além da maior rentabilidade pela otimização da produção.
Agora que você já sabe mais sobre os produtos biológicos, vamos falar das substâncias húmicas e como elas potencializam as plantas.
Vamos em frente!
As substâncias húmicas são formadas a partir da biodegradação química e biológica de resíduos de plantas, animais e atividades microbianas. É formada pela fração mais estável da matéria orgânica do solo e constituem de 85% a 90% da reserva total do carbono orgânico do solo.
As substâncias húmicas são divididas em ácidos fúlvicos, ácidos húmicos e huminas. Existem nos solos, nas águas naturais e nos sedimentos. Elas costumam ser utilizadas na agricultura como insumo, de modo a garantir melhora na produtividade devido aos benefícios que promovem para a estrutura física e química do solo e para o metabolismo da planta.
As substâncias húmicas tem a capacidade de captar nutrientes como fósforo, cálcio, potássio e nitrogênio por meio do processo de complexação. Uma vez complexados, esses nutrientes estão mais estáveis e diminuem as perdas por lixiviação, volatilização e fixação.
O processo de complexação possibilita, ao mesmo tempo, o aumento e o melhor aproveitamento da planta na absorção dos nutrientes que estão no solo.
As substâncias húmicas melhoram a estrutura do solo e potencializam os efeitos biológicos das plantas. O uso dessas substâncias produz efeito direto tanto no crescimento da raiz quanto no crescimento da parte aérea, ou seja, no desenvolvimento da própria planta. O resultado é visível principalmente em áreas depauperadas. .
Além desses benefícios, as substâncias húmicas são também positivas no controle biológico de microrganismos desde o momento da aplicação, visto que protegem o agente microbiológico de mudanças bruscas do ambiente (temperatura, pH, etc.) quando estão em contato. Dessa forma, mantém a concentração desejada do produto de controle (inóculo).
Analisando as funções dos produtos conjuntamente com a dinâmica da biologia do solo, podemos constatar que os benefícios são:
O uso de substâncias húmicas para o controle biológico de pragas e doenças no cultivo é uma técnica que só traz vantagens. Além de reduzir custos e proporcionar uma produção mais sustentável, os produtores que a utilizam estão alinhados com as demandas mais modernas exigidas pelo mercado.